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PAIS E CUIDADORES


EDUCAÇÃO SEXUAL - VAMOS BATER UM PAPO?

Por mais que a SEXUALIDADE tenha se tornado um dos focos de educadores e pais atualmente, ainda é para muitos adultos, algo constrangedor.
Mas isso não se deve ao acaso. Na história da sexualidade existem algumas razões:

• Coma domesticação dos animais e a descoberta do ferro fundido, dando a possibilidade de novas construções, o homem começou a adquirir riquezas, e conseqüentemente começou a se preocupar para quem deixaria esta riqueza. Com o interesse de deixar aos seus sucessores, os filhos, pais da época passaram a exigir a virgindade das mulheres antes do casamento e a sua devida fidelidade. Teve início aí a repressão sexual;

• A riqueza desejada na época permitiu uma mudança estrutural nas plantas das casas. Aumentaram o número de cômodos, e a sala que também era espaço para dormir, se dividiu em quartos. A cama passara a ser um local privado, no entanto entendido como uma "zona perigosa";

• No séc. XV os homens se vestiam salientando as formas masculinas através do uso da "braguette" e até o fim do século XVIII as mulheres não usavam calças, para que suas formas não fossem contornadas;

• No princípio do séc. XVIII começou-se a falar de masturbação e os perigos que ela oferecia: fimose, histeria, impotência, diminuição do crescimento e etc... Estes perigos foram divulgados com grande ênfase e eram levados a sério;

• O pijama surgiu nesta época, em colégios internos, com o objetivo de repressão sexual. A ereção era punida através de “gaiolas elétricas” que acionavam campainhas no quarto dos pais ou do diretor do Internato;

• O investimento na educação dos filhos surge no séc. XIX, mas como os pais não sabiam como fazê-lo, enviavam as crianças para os internatos. A educação foi se tornando cada vez mais repressiva (não pode arrotar, espirrar, bocejar...), e a sexualidade acompanhou este processo.

A partir deste histórico é possível imaginar como o tema “sexualidade” foi se desenvolvendo de forma obscura em nossa sociedade. E talvez por isso, muitos pensem até hoje, que este tipo de assunto não deve ser discutido, comentado com os filhos.

Ainda em tempos mais atuais, não é improvável que caso a sexualidade seja questionada ou instigada ao tema da conversa, represente um perigo ao estimulo da criança ou adolescente.

Mas certamente isso não é verdade. A informação permite a criança ou ao adolescente, maior compreensão do processo de desenvolvimento, de curiosidade pelo corpo e do desejo inerente do ser humano.

Por isso é hora de BATER PAPO!!! E o assunto é sim: EDUCAÇÃO SEXUAL!!!
Comecemos por questões importantes, que servem para os adultos compreenderem melhor o tema, e para os filhos apreenderem.

1) Qual é o papel da família na determinação das preferências sexuais de seus filhos?
De fato existe uma influencia familiar, mas algumas teorias afirmam que bem menos quando comparadas com os fatores de ordem constitucional ou biológica.

2) E o desejo, a curiosidade do filho adolescente, como controlar, como lidar?
Aquela criança que era seu filhote até então, está crescendo. Indo para o mundo e precisando liberar a quantidade de energia do seu corpo. Talvez ele já não segue mais suas orientações, já busca certa liberdade, e foge da autoridade dos mais vividos.
Por isso por mais angustiante que seja, ver seu filho se diferenciando e buscando um novo lugar, a tentativa de reprimi-lo, ou de ignorar o direito que ele tem de buscar prazeres ou informações, será muitas vezes, o mais prejudicial. Daí algumas dicas: mantenha sempre uma atitude de respeito; desenvolva o senso de solidariedade, lembre-se como lhe faltaram informações, e como foi de sua vontade, experienciar os prazeres da transformação do seu corpo;

3) Hormônios, óvulos, espermatozóides:
De fato, no adolescente tudo está em ebulição: do choro, pode vir à raiva. E num piscar de olhos, ele reage com doçura.
A verdade é que os sentimentos nesta fase entram num limite: ou se tem profundas e grandes alegrias, ou sem tem profundas e grandes tristezas.
Há uma interferência biológica direta nesta inconstância e a grande responsável por isto é a glândula hipófise. O que causa interferências no humor e provoca mudanças hormonais. Por isso, é importante se colocar no lugar de seu filho!

4) Sexualidade significa, sexo, relação genital?
Certamente não. Para os adultos ainda é difícil falar a respeito, pois sua própria sexualidade pode estar desconhecida, e esta significa muito mais do que um simples ato sexual. Para o adolescente é mais do que necessário conversar a respeito, sentir-se à vontade para aprender e receber informações daqueles que mais pode confiar, seus pais.
O que querem é falar sobre o namoradinho da escola, da paquera ou do beijo na boca. Vide abaixo a Sessão perguntas e respostas.

PERGUNTAS DOS FILHOS RESPOSTAS DOS PAIS
Primeiro amor Conte sua opinião, o que querem saber é se viveram o amor um dia...
Masturbação Não indica problema sexual, nem inibição. Sendo saudável para o adolescente. Caso observada com muita freqüência, indique esportes, atividades para consumir a energia do adolescente.
Relacionamentos entre meninos e meninas Diferenciar conforme as idades o que é possível ser vivido sem ser precocemente. Passe a idéia que quanto mais souberem o que estão fazendo, mais tranqüilos estarão para o momento certo da primeira relação.
Métodos anticoncepcionais Pílulas, diu, diafragma, camisinha, etc. Podem ser encontrados em postos de saúde. Ao transmitir a informação você estará transmitindo a mensagem do sexo seguro.
Virgindade Depende da relação que o casal tiver em termos da importância atribuída. Mas que certamente não é a garantia do casamento no futuro.
Camisinha Para usar, usar e usar, sempre!!!
Desejo, tesão Todo tem, é gostoso, saudável. Mas não deve ser o guia sobre o que fazer...
Primeira vez A importância na escolha do parceiro, para ambos os sexos... Quando? Quando for a hora de cada um! Mas sempre com proteção para evitar doenças e gravidez indesejada.
Gravidez É caso sério! Por isso mostrar o quanto o jovem pode ser importante, sem buscar na paternidade sua identidade...

Mas lembre-se, é importante seu filho saber que você não tem que ter resposta para tudo. Não há nada de errado nisso!

Observe o que foi difícil para lidar, pode ser uma dificuldade sua primeiramente.
Mostrar-se aberto ao dialogo, dizer o que sabe e o que pensa a respeito sobre esses assuntos, e principalmente OUVIR e INTERVIR responsabilizando-o por suas posturas é o melhor a fazer.

A orientação sexual é um processo de intervenção, sempre é hora de ser discutida. Esta deve contribuir para que a sexualidade seja vivida de modo prazeroso e responsável. A sexualidade esta ligada ao exercício de cidadania, pelo respeito a si próprio e ao outro, nas questões de saúde e no direito de informação e conhecimento.

Roberta Payá

 


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