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SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO
XIX Congresso da Associação Brasileira de estudos de Álcool e Outras Drogas, 05 a 08/09/2007, Rio de Janeiro - RJ
TITULO: PERFIL DE CRIANÇAS, ADOLESCENTES QUE CONVIVEM COM A DEPENDÊNCIA QUÍMICA NA FAMÍLIA.
AUTORES: GIUSTI, B.B;SACCANI, A. P. S; PAYÁ, R; FIGLIE, N. B.
INTRODUÇÃO: A importância da família no desenvolvimento social e cognitivo da criança e do adolescente tem sido tema de estudos em diversas áreas. Figlie e Payá 2004 postularam que filhos de dependentes químicos podem ser afetados por diversos problemas como, por exemplo: problemas emocionais, escolares, de hiperatividade na infância, problemas emocionais e de conduta na adolescência e desenvolvimento alcoólico na vida adulta. Contudo o desafio de crescer em uma família na qual a problemática da dependência química está presente pode atuar como fator de proteção no sentido de desenvolver habilidades de enfrentamento e resiliência em situações estressantes e de escolhas.OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi de investigar o perfil de crianças, adolescentes e familiares em um serviço pioneiro em prevenção seletiva para familiares de dependentes químicos, bem como discutir a importância de ações e organização de serviços voltados para prevenção. AMOSTRA: Foram pesquisadas 394 crianças e adolescentes entre 0 e 18 anos moradoras do JD. Ângela, atendidas no projeto Cuida, no período de 2001 a 2007. INSTRUMENTOS: CAGE Familiar (Frank et al., 1992); Anamense estruturada que abrange dados sócio econômicos, histórico e padrão familiar de uso ou abuso de álcool e drogas, dados do histórico e desempenho escolar; Critério de Classificação Econômica Brasil para levantamento de aspectos sociais (Associação nacional de Empresas de Pesquisa, 1997); Critérios de investigação sobre situações de estresse psicossocial vividas pela criança (Organização Mundial da Saúde, 1997); Critérios de investigação sobre situações de estresse psicossocial vividas pela criança (CID 10, 1993) e diagnóstico psiquiátrico.RESULTADOS: Das 394 crianças e adolescentes avaliadas 56,0% são do sexo masculino têm em média 8,4 anos. Como acompanhante 67,0% é representada pela figura materna. Em relação ao perfil familiar, tanto o pai (55,0%), como a mãe (56,0%), em sua maioria, possuem baixa escolaridade não tendo completado o ensino fundamental. Em relação à ocupação dos cuidadores, 56,0 % das mães estão sem ocupação formal no momento e somente 27,0% dos pais são assalariados. Em 67,0% das famílias o pai é o dependente químico, e tem como substancia de escolha o álcool (73,0%), sendo que destes 86,0% não fazem tratamento. No que diz respeito ao histórico escolar, 14,0% dos atendidos apresentaram reprovação escolar, sendo que 79,0 % fizeram acompanhamento pedagógico e 15,7% apresentaram dificuldade de aprendizagem ou leitura. 6,0 % apresentaram de uso de substâncias psicoativas; 50,0% passaram por problemas financeiros; 11,0% por divorcio e separação; 11,0% por morte de um amigo; 6,0 % por morte do genitor; 4,0% por acidentes ou lesão; 4,0% por doença grave e 3,0 % por morte do irmão. 16,0% das crianças e adolescentes inseridas no serviço apresentaram quadros psiquiátricos.
CONCLUSÃO: Apesar dos resultados apresentados apontarem para o impacto que a dependência química vem causando nas crianças e adolescentes que convivem com essa problemática, é importante frizar que uma parcela dessa população se torna resiliente e capaz de prosseguir com o desenvolvimento esperado para sua faixa etária, mesmo estando suscetíveis a riscos e danos biopsicossociais. Daí a importância de intervenções preventivas e organização de serviços dirigidos a crianças e adolescentes que convivem com a dependência química em seus lares, de modo fornecer orientações, aconselhamento e treinamento de habilidades para lidar com os fatores de risco existentes.
PALAVRAS-CHAVE: Prevenção Seletiva, Filhos de dependentes químicos e Família.
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