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SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO
O Impacto da Dependência Química nos Núcleos Familiares: Filhos, Pais e Cuidadores
Roberta PayáD**(Depto de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo), Neliana FiglieP (Depto de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo)
Bolsa: Roberta Payá (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ)
Palavras-chave: Transtornos relacionados ao uso de substâncias; Relacionamento Familiar; Saúde mental.
Nível do Trabalho: Doutorado
Código de área de Pesquisa: Saúde MentalA preocupação com filhos de dependentes químicos vem notoriamente ocupando um espaço maior na área de saúde. Investir nesta população significa trabalhar com o setor de prevenção seletiva em dependência química, preocupação relevante na atualidade. O objetivo deste trabalho é apresentar dados de pesquisa de caso controle com uma amostra de conveniência pareada por sexo e idade composta por 305 participantes, filhos de dependentes químicos sendo: 122 famílias com o pai dependente de álcool, 50 famílias com o pai dependente de cocaína e maconha e 133 famílias do grupo controle. A faixa etária dos participantes foi de 0 a 18 anos, assistidos em um serviço de prevenção seletiva, em um bairro da periferia da cidade de São Paulo, através de uma entrevista semi estruturada, incluindo dados demográficos; critério de classificação econômica; SRQ para avaliação de condições psiquiátricas do cuidador (identificado como não dependente); Problemas comportamentais e quadros psicopatológicos em crianças e adolescentes (Inventário CBCL); Situações de Estresse Psicossocial Familiar e FIRA-G (Índice Familiar de Regeneração e Adaptação Geral) para avaliação de resiliência das famílias de ambos os grupos. De 305 entrevistados, 56% são do sexo masculino, e 44% do sexo feminino. A média da idade encontrada foi de 10 anos para o grupo de álcool e controle e 8 anos para o grupo de drogas. No entanto a faixa etária que revela maior vulnerabilidade para o impacto da dependência do pai foi de 4 a 8 anos de idade. Quanto o impacto do tipo de substância, o grupo de filhos dependentes de drogas revela maior comprometimento uma vez que das 12 escalas do CBCL apresentou maior % em 7, como: retraimento, queixas somáticas, problemas de contato social, problemas de pensamento, comportamento delinqüente, externalizing e problemas de comportamento. Em relação às respectivas famílias, 48% situam-se na condição econômica da classe D, sendo compostas por 66% casados e amasiados e 28% separados. Tendo no grupo de drogas a maior porcentagem de separação. Ao avaliarmos a resiliêcia das famílias percebemos a relação da resiliência familiar com tensões e desconforto familiar das que convivem com alguma dependência. O grupo álcool revelou ser mais resiliente (30%) quando comparados com o grupo controle (21%), no entanto o grupo de drogas não apresentou diferenças (25,5%) em relação aos grupos anteriores. Os achados deste estudo puderam comprovar que filhos de dependentes de drogas têm maiores problemas quando comparados com filhos de dependentes de álcool. Basicamente pode-se pensar que o grupo drogas tende a desenvolver problemas de comportamento, e o grupo álcool tende a desenvolver problemas emocionais.
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