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SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO
ASSOCIAÇÃO ENTRE ABUSO FÍSICO NA INFÂNCIA, EXPOSIÇÃO À VIOLÊNCIA PARENTAL E DESORDENS DE USO DE ÁLCOOL NA IDADE ADULTA. Daniela Zanoti-Jeronymo** (Universidade Estadual do Centro Oeste, Guarapuava-PR, Brasil), Marcos Zaleski (Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis-SC, Brasil), Raul Caetano (University of Texas School of Public Health, Dallas-Texas, USA) Ilana Pinsky (Universidade Federal de São Paulo, São Paulo-SP, Brasil) Neliana Buzi Figlie (Universidade Federal de São Paulo, São Paulo-SP, Brasil), Ronaldo Ramos Laranjeira (Universidade Federal de São Paulo, São Paulo-SP, Brasil).
Apoio Financeiro: Secretária Nacional Antidrogas pelo financiamento da pesquisa na qual se insere este estudo (SENAD - Convênio 017/2003)
Bolsa: Coordenação de Aprimoramento de Pessoal de Nível Superior – CAPES pela concessão de bolsa de doutorado para o primeiro autor na Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Palavras-chave: violência doméstica; violência parental; dependência de álcool.
Nível do Trabalho: Doutorado
Código de área de Pesquisa: Saúde MentalO estudo objetivou investigar a prevalência do abuso físico e da exposição à violência parental na infância e examinar associações do histórico de violência na infância com dependência e uso nocivo de álcool na idade adulta. Os dados analisados neste estudo são provenientes do I Levantamento Nacional do Álcool. Um procedimento de amostragem de múltiplos estágios foi usado para selecionar 3.007 indivíduos de 14 anos de idade ou mais da população dos lares brasileiros, entre novembro 2005 e abril 2006. Uma hora de entrevista foi conduzida na casa dos respondentes por entrevistadores treinados que usaram um questionário padronizado. A taxa de resposta da pesquisa foi de 66,4%. As variáveis mensuradas foram: sociodemográficas; dependência e abuso de álcool através do Composite International Diagnostic Interview - CIDI; avaliações do histórico de violência da infância por meio de questões traduzidas do Hispanic Americans Baseline Alcohol Survey - HABLAS; para o abuso físico na infância, os sujeitos foram alocados em 3 grupos: sem história de abuso físico, abuso físico moderado, ou abuso físico severo na infância. Para a exposição à violência parental na infância, os sujeitos foram alocados em 3 grupos: nunca observaram violência ou ameaça parental, observaram ameaça de violência, ou observaram ameaça e violência física juntas. Foi utilizado o teste qui-quadrado de Pearson e o modelo de regressão multinomial incorporando as informações do plano amostral. As análises mostraram a existência de associação entre o histórico de abuso físico e exposição à violência parental (p<0,001). Com relação à exposição à violência parental, verificou-se que cerca de 5% dos indivíduos sem exposição sofreram abuso físico severo e dos que viram ameaça de agressão, esta porcentagem aumenta para 17,4%. Já, dos que viram ameaça de agressão e agressão física, 28,3% sofreram abuso físico severo. Dos que sofreram abuso físico severo, 51% sofreram exposição severa. Houve também uma associação significativa entre exposição à violência parental e sexo, faixa etária, classe sócio-econômica, região, instrução, histórico de abuso físico. O modelo de regressão multinomial mostrou uma significativa associação entre o histórico de abuso físico na infância e dependência de álcool na idade adulta. As variáveis de maior impacto na chance para dependente do álcool foram sexo masculino, exposição à violência parental e histórico de abuso físico. Percebeu-se também que a chance de ser dependente é 89% maior em pessoas de classe E, 84% maior em não brancos e 42% menor em casados. Desta forma, observou-se que quanto maior o grau de exposição, maior a porcentagem de violência severa sofrida na infância Os resultados corroboram com prévios achados que sugerem que um histórico positivo de violência na infância é um componente importante na etiologia dos transtornos decorrentes do consumo de álcool.
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