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SAIBA MAIS SOBRE O ASSUNTO
XV Congresso da Associação Brasileira de estudos de Álcool e Outras Drogas: O jovem e as Drogas, 3 a 7/09/2003, São Paulo
Temas Livres: Figlie, N.B.; Fontes, A.; Moraes, E.; Payá, R. Filhos de dependentes químicos: necessitam de olhar especial?
Área Temática: Prevenção
Agradecimentos: Aos funcionários do CUIDA, Comunidade São Francisco de Assis, Sociedade Santos Mártires e UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) pelo apoio, empenho e confiança.
Financiamento: CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) e Supervisão da Secretaria Municipal da Saúde
Instituição onde o trabalho foi desenvolvido: CUIDA (Centro Utilitário de Intervenção e Apoio aos Filhos de Dependentes Químicos) www.uniad.org.br/cuida
Resumo
CONTEXTO: A dependência química tende a afetar a família como um todo. Filhos de dependentes químicos têm um risco aumentado para o desenvolvimento da dependência química, bem como condições psicopatológicas quando comparados com outras crianças.
OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi de investigar o perfil de crianças, adolescentes e familiares em um serviço de prevenção seletiva para filhos de dependentes químicos e discutir alternativas de intervenção e tratamento para esta população.
TIPO DO ESTUDO: Estudo de Corte transversal.
AMOSTRA: Serviço de prevenção seletiva, situado em um bairro da periferia da cidade de São Paulo com 63 familiares, 54 crianças e 45 adolescentes.
INSTRUMENTOS: Dados sócio-demograficos, Procedimento de Desenhos de Família com Estórias - DF-E, Drug Use Screening Inventory (DUSI), Critérios de investigação sobre situações de estresse psicossocial vividas pela criança (CID 10, 1993); Self Report Questionnaire SRQ-20.
RESULTADOS: Com relação ao perfil familiar, 67% pertence a categoria socio-economica D; na maioria das famílias o pai é o dependente químico (67%), tendo como substância de escolha o álcool (75%). O SRQ-20 detectou em 59% dos cônjuges que não eram dependentes químicos, risco de distúrbios em saúde mental. Nas crianças foi observado timidez e sentimento de inferioridade; depressão; conflito familiar; carência afetiva e bom nível de energia que é indicativo de equilíbrio emocional e mental Nos adolescentes foi observado maior índice de problemas em Desordens Psiquiátricas, Sociabilidade, Sistema Familiar e Lazer/ Recreação
CONCLUSÃO: O artigo concluiu a necessidade de um serviço especializado de prevenção seletiva, dirigido a crianças, adolescentes e familiares afetados pela dependência química, uma vez que filhos de dependentes químicos representam um grupo de risco para o desenvolvimento de problemas bio-psico-sociais.
PALAVRAS-CHAVE: Dependência Química, Prevenção Seletiva, Crianças, Adolescentes, Família, abuso de substâncias.
Filhos de Dependentes Químicos - as conseqüências no desenvolvimento da criança e do adolescente no contexto da dependência química familiar.
Payá, R.; Figlie, N.B.
A preocupação com filhos de dependentes químicos vem notoriamente ocupando um espaço maior na área de saúde. Investir nesta população significa trabalhar com o setor de prevenção seletiva em dependência química, preocupação relevante na atualidade.
Crescer em uma família que possui um dependente químico é sempre um desafio, principalmente quando a criança ou adolescente passam a ter um contato direto com a dependência de um dos pais. Filhos de dependentes químicos apresentam risco aumentado para transtornos psiquiátricos, dentre eles o risco elevado para o consumo de substâncias psicoativas, bem como para o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade, transtorno de conduta e fobia social.
O objetivo deste trabalho é apresentar o perfil 106 filhos de dependentes e das respectivas famílias, com faixa etária entre 0 a 18 anos, assistidos em um serviço de prevenção seletiva, em um bairro da periferia da cidade de São Paulo, através de uma entrevista semi estruturada, incluindo dados demográficos; classificação econômica; Child Behavior Checklist (CBCL - Inventário de Comportamentos da Infância e Adolescência) para avaliação de comportamento da criança e do adolescente; Short Alcohol Dependence Data (SAAD), e Drug Use Questionnaire (DAST) para avaliação do consumo e avaliação de problemas relacionados em relação ao álcool e drogas respectivamente e Self Report Questionnaire (SRQ) para avaliação do estado emocional do cônjuge não dependente, também responsável pela criança ou adolescente.
De 106 entrevistados, 42% são do sexo masculino, e 58% do sexo masculino. Dentre a faixa etária prevalente encontra-se 21% (22) entre 6 a 8 anos de idade, seguido por 15% (16) de 9 a 11 anos e 115 (12) entre 12 a 14 anos de idade. Através do CBCL. Foi identificado que 45% dos filhos apresentaram problemas de comportamento, 10% apresentou quadro de ansiedade e depressão, 20% avaliados como condição limítrofe em relação problemas de pensamento, 15% com problemas de atenção e 16% com comportamento agressivo.
Em relação às respectivas famílias, 48% situam-se na condição econômica da classe D, sendo compostas por 39% casados e amasiados e 24,5% separados. Quanto aos dados da dependência química, 47% dos filhos convivem com um dependente e o restante 53% com mais de um dependente. Sendo que como substancia prevalente o álcool assumi destaque 53% seguido por cocaína e crack 13,5% .
A partir disto, torna-se evidente o quanto que o ambiente familiar que presencia a dependência química interfere no desenvolvimento da criança e do adolescente, acarretando graves conseqüências emocionais, comportamentais e também psiquiátricas. Além disso, os resultados apontam mais um agravante no que tange a situação sócio econômica dos participantes, pois é mais um aspecto que se revela como fator de risco para o desenvolvimento de problemas deste grupo.
Mais ainda assim é importante refletirmos que embora os dados revelem as conseqüências do convívio com a dependência durante a fase de crescimento é importante ressaltar que grande parte dos filhos de dependentes, tanto da amostra estudada, bem como de outros estudos científicos são bem ajustados e por tal uma abordagem preventiva de caráter terapêutico e reabilitador pode ser de vital importância no desenvolvimento de filhos de dependentes químicos.
PERFIL PSICOLÓGICO DE ADOLESCENTES FILHOS DE DEPENDENTES QUÍMICOS
Moraes, E.; Silva, K.A.; Figlie, N.B.
Os filhos de dependentes químicos estão constantemente expostos às situações de risco, o que comumente propicia elevada vulnerabilidade psicossocial. Tais situações são decorrentes, principalmente, do meio em que vivem, muitas vezes permeado por alcoolizações e uso de drogas , brigas constantes, violência doméstica e distúrbios de conduta paterna/materna.
Em face da escassez de estudos com tal população, esta pesquisa visa apresentar o perfil psicológico de quarenta e cinco adolescentes atendidos em um serviço de prevenção - CUIDA (Centro Utilitário de Prevenção e apoio aos Filhos de Dependentes Químicos). Os dados foram obtidos através do instrumento DUSI-R - Drug Use Screening Inventory - Revisado, (De Michelli e Formigoni, 2000), que quantifica os índices de problemas em dez áreas da vida do adolescente.
A amostra de 45 adolescentes teve idade média de 13,2 anos, sendo composta por 44,4% do sexo masculino e 55,6% do sexo feminino. A escolaridade média foi de 5ª série do Ensino Fundamental.
As áreas de maior incidência de problemas apontadas pelo DUSI foram: Sistema Familiar (41,9%), Sociabilidade (41,6%) e Desordens Psiquiátricas (41,1%). O Uso de Substâncias Psicoativas destaca-se entre as áreas de menor incidência de problemas com 6,8%.
Embasados em estudos já existentes e diante dos resultados obtidos, pode-se concluir que existe uma maior probabilidade destes adolescentes envolverem-se com a delinqüência e as drogas, se comparados com outros sem dependência na família. Na faixa etária pesquisada (11 à 17 anos) o uso de ATOD ainda é pequeno, o que ressalta a importância de intervenções preventivas que minimizem os fatores de risco a que estão submetidos e aumentem seus fatores de proteção.
Fontes, A.; Figlie, N.B. Perfil afetivo emocional dos filhos de dependentes químicos através do DF-E.
"Perfil afetivo-emocional de filhos de dependentes químicos através do DF-E"
O alcoolismo e o abuso de drogas são enfermidades sofridas não apenas pelo dependente, mas também pelos membros da família, principalmente os filhos. O ambiente familiar na qual um dos pais é dependente, é turbulento e pouco saudável, elevando a probabilidade dos filhos sofrerem interferências no desenvolvimento.
Objetivo: Traçar o perfil afetivo-emocional dos filhos de dependentes químicos.
Tipo de estudo: Corte Transversal.
Instrumentos: Dados demográficos, DF-E (Desenhos de Família com Estórias, Walter Trinca, 1989).
Amostra: 43 crianças de 04 a 10 anos que estão em tratamento no Cuida e que participaram da pesquisa ao ingressarem no serviço.
Resultados: 58% apresentou baixa auto-estima, 86% carência emocional, 77% concretude, 60% isolamento social, 63% sentimento de abandono, 44% maturidade precoce, 79% conflito familiar, 79% sentimento de vazio, retraimento e traços depressivos, 60% utilizam a negação como principal mecanismo de defesa, evitando assim, lidar com as conseqüências da dependência e 74% bom nível de energia e tônus muscular, fator importante para um bom prognóstico.
Conclusão: Filhos de DQ configuram um grupo de risco para o desenvolvimento de psicopatologias e uso de drogas, mas por outro lado os dados apontam características estruturais de personalidade que justificam uma abordagem de prevenção seletiva com vistas a minimizar os danos.
Financiamento: CMDCA e supervisão da Secretaria da Saúde.A Influência da Dependência Química na Qualidade de Vida dos Familiares
Milagres, E.; Payá, R.; Amorim, M.; Figlie, N.B.
O presente estudo procura investigar a Qualidade de Vida das famílias que participam no CUIDA ( Programa de Prevenção dirigido aos filhos de dependentes químicos), desenvolvido na Sociedade Santos Mártires em parceria com a UNIAD ( Departamento de Pesquisa em Álcool e Drogas da EPM/UNIFESP), verificando junto aos indivíduos qual e a percepção de sua qualidade de vida no contexto em que vivem e quais as expectativas negativas e preocupações em relação ao futuro.
O levantamento foi feito em 30 familiares cujos filhos estão em tratamento no CUIDA através de entrevista estruturada para obtenção de dados demográficos, CCEB ( Critérios de Classificação Econômica do Brasil), BHS ( Escala de Desesperança de Beck) e o Instrumento Qualidade de Vida (WHOQOL).
Os indicadores obtidos através deste estudo trazem para discussão a relação entre: Qualidade de Vida/Desesperança/Contexto familiar com dependentes químicos, e podem contribuir para o direcionamento do trabalho de prevenção enfocando os aspectos que mais necessitam de intervenções.
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